sexta-feira, 1 de julho de 2016

O Adeus a TONY MAYRINK VEIGA


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Há alguns anos o Sr. Antonio Mayrink Veiga, o Tony, marido da Carmen, vinha enfrentando sérios problemas de saúde... De três anos para cá, quase sempre que eu falava com a Carmen Mayrink Veiga, ele estava se recuperando de mais um susto. Então, mesmo quando li no blog da Hildegard Angel sobre ele estar muito mal, eu esperava que também se recuperasse dessa vez. Mas, infelizmente, ele se foi na tarde de 28 de junho de 2016. 
O Sr. Tony e eu conversamos poucas vezes e, preciso dizer, eu sei que em momentos como esse é comum recordar conversas e encontros... Mas, eu não entendo como há tantos jornalistas publicando que eram íntimos dele, porque ele era realmente muito reservado. A última vez que conversamos foi sobre os livros que ele havia feito, sobre imprimir alguns volumes para dar de presente. Ele foi gentil dizendo que, por causa da minha coleção sobre a Carmen Mayrink Veiga - e, consequentemente, sobre a família dele -, eu teria um exemplar.
Estou olhando a minha coleção neste momento, a quantidade de registros sobre esse incomparável casal... É muito triste você acompanhar tantas notícias, arquivar tantas fotos, no dia 25 de junho anotar que eles completaram 60 anos juntos e, então, no fim da tarde de ontem, fazer a última anotação sobre o Sr. Tony. Só me resta rezar pela família, especialmente pela Carmen Mayrink Veiga, com quem me preocupo muito. Não há muito o que dizer... 
Muitos textos estão falando sobre a vida de luxos que ele teve, mas, eu não quero falar nisso. Acredito que as homenagens devem ser feitas em vida e, pelo que todos os meus registros mostram, ele teve uma vida incrível. Então, só podemos rezar para que a família tenha força e, também, por todas as pessoas que estão passando por um momento tão delicado como esse. Que Deus o Tenha.

Fotografia: publicada por Antonia Frering na internet.

sábado, 2 de abril de 2016

Moda e Comportamento - O Diabo Está Vestindo Você?

Fantástica produção de moda e o chique semblante vazio, Christian Dior 2016.
Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Eu penso que o pecado e o luxo são feitos um para o outro. O diabo pode ser realmente muito sedutor nesta Terra e muitos de nós estamos vendemos a alma a cada gesto e palavra... Isso vai muito além de religião e não há outro caminho. Isso é muito incrível e também cruel!
Quando você vê uma imagem antiga - ou vintage, como preferir - de uma mulher usando pele de raposa e joias gigantescas, talvez não imagina o sofrimento das raposas que foram estraçalhadas ou das pobres e exploradas famílias, que penaram até a última gota de suor, para que o diamante, reluzente, aparecesse num dedo bilionário. Nós estamos cada vez mais envolvidos nisso de valores, karma e tragédias, mesmo sabendo de todo sofrimento que sempre há por trás dos holofotes, do brilho e da beleza. 
Nós temos consciência da origem de tudo, temos consciência dos elementos que formam o luxo e continuam nos assediando, construindo, redesenhando, mantendo e confrontando sonhos de modo terrivelmente egoísta, frio e calculista. Mas, não há outro jeito de encarar a vida! A tendência de quem está num topo, seja ele qual for, é cair! Isso é assustador e você precisa lembrar, a cada manhã, que deve negociar, renegociar, barganhar sua alma por acordar ao lado de um homem que representa sua segurança financeira, o emprego que ocupa praticamente todo seu dia, os anos que estão passando, as tecnologias que você não consegue acompanhar, a linda juventude no esplendor dos 18 anos, totalmente sarados, sexy e na moda do funk ostentação, distante de tudo que envolve a sua realidade construída sobre um caminho mecânico, que lhe garante mais dinheiro, que nunca é suficiente, menos vida e nenhuma alma... 
As listas do que gostaríamos de ser, ter e fazer são intermináveis; mas, preferimos o comodismo da alma bem vendida. Quando eu vejo uma pessoa sofredora na rua, dessas que foram desumanizadas por pressão da vida, na realidade de humilhações, pobreza e fome, tenho vontade de gritar "ei, você não precisa fazer nada, você já está no céu". Faça uma lista... O que te dá vida? Quem te dá vida? Muita gente se sente viva quando alimenta seu próprio abismo com vícios batidos em cachaça, cigarro e tantas outras coisas que, atualmente, devemos encarar como uma escolha consciente de como se quer morrer; outras pessoas se sentem vivas quando vão ao shopping-center e compram uma infinidade de coisas inúteis, mas, há toda uma sensação maravilhosa de poder de consumo, de independência e sedução financeira momentânea; tem gente que é viva quando vai ao massagista, ou passa duas horas no cabeleireiro, quando faz uma longa e detalhada maquiagem para uma festa, durante um rápido processo de paquerar pessoas mais jovens, quando é correspondido, outros encontram a vida fazendo sexo à três, quatro, cinco, etc., contratando um garoto de programa... Tudo pode ser suave e tão pesado. 
A lista de prazeres mundanos que alimentam a nossa alma é muito grande e tudo se baseia em terríveis riscos e movimentos extremos. A maioria dos meus leitores podem estar espantados, mas, é essencial saber enxergar a realidade. Às vezes, você muito amigavelmente aperta a mão de alguém que, por dentro, está querendo te levar para a cama. Às vezes, o seu amigo pode estar desejando sua garota, às vezes só é preciso manter a calma, o ladrão já correi e o tiro pode ter sido de raspão, às vezes, o avião não caiu e matou centenas de pessoas porque você decidiu cancelar seu bilhete... As neuroses da vida! Os códigos da vida! Esse combustível para a sensação de estar vivo é quase tão sério quanto a cachaça diária de muita gente. 
Quem você escolheu para te salvar do abismo? Pois é, o relógio está correndo. Não adianta ser arara de roupas caras, maquiagem perfeita, etc., se o semblante, apesar de chique, revela a completa desumanização imposta pela moda, que é uma das consequências mais brutais da vaidade, auto-estima e do dinheiro: a submissão. 
Muitos desses perigosos e desejados elementos, como jóias e roupas, possuem um tipo de feitiço, absorvendo histórias, desempenhando curiosos e assombrosos efeitos decisivos nas vidas de reis, rainhas e pessoas poderosas. Cuidado. Se baterem na sua porta, tenha o máximo de cautela, pois, o diabo não virá feio e maltrapilha e, mesmo sabendo disso, você vai amá-lo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

ALTA COSTURA - DIOR Remexe Beleza e Juventude


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - A equipe Dior fez muito bem seu papel e apresentou uma coleção muito fashion, moderna e jovial, prosseguindo a manobra iniciada por Raf Simons para a casa. Mas, por favor, é essencial perceber que essa linha estética da roupa é uma trajetória traçada por Alexander McQueen no final dos anos 90. Talentos jovens e vaidosos conduzem a remexida Dior na tentativa de fazer valer seus próprios nomes, enquanto a direção decide alguém para substituir Simons, e temos a sensação de que as belezas de agora - primavera-verão 2016 - são um estratégico retrocesso ao alto nível criativo da passagem de McQueen pela moda, como se estivéssemos todos numa pesada sessão psiquiátrica, com direito a hipnose e muita medicação, tudo para que certos trechos da moda sejam totalmente apagados. Como um reaprendizado, uma tentativa de "corrigir" qualquer coisa, os rascunhos para algo muito melhor. Ao mesmo tempo, isso é terrivelmente perigoso e mexe totalmente com a essência estética de cada um e com a base construída e construtiva da moda.
Não se espante se, em menos de 2 coleções, você passar a considerar a Chanel ultrapassada e, portanto, ver o brilho criativo de Karl Lagerfeld se esconder diante do bombardeio visual de casas como a Dior. Nesse recuo estratégico, para dosar criatividade e funcionalidade, além de outros elementos do luxo e da estética, estão muito bem apresentados os eleitos ao esquecimento; o resultado do trabalho de John Galliano, Jean-Paul Gaultier e, pasme, até Christian Lacroix seria parte da turma e, injustamente, considerado extremamente "brega" e "excessivo", barrando até mesmo a possibilidade do vintage continuar sendo chique; e todas essas linhas seriam, portanto, excluídas da memória e de qualquer tentativa fashion. Por mais que ainda identifiquemos sinais tradicionais da Dior, e que nos esforcemos para traduzir tudo de modo que a essência do passado se torne presente em certos detalhes, precisamos digerir modificações, aceitando que alguns códigos são somente parte da história e que o nome é a única coisa que vai restar de tudo que conhecemos da Christian Dior.
Ver uma foto da Diana Vreeland usando alta costura Yves Saint Laurent nos anos 70, com aquelas jóias gigantes, isso vai parecer ficção científica, um mundo paralelo existente somente em registros da moda, qualquer coisa extraterrestre, distante como o Antigo Egito. Tudo isso, de agora, é tão cinematográfico que começamos a esperar a tendência estética da Delia Deetz voltar à tona de forma muito chique! Será que é isso mesmo? Quase acontece uma segunda chance ao estrondo da tentativa futurista que houve entre as décadas de 1980 e 1990. A fantasia é tamanha e também realista, que nos tornamos vítimas de um nivelamento entre o realismo usual e a criatividade de Tim Burton.
Assim, a turma da Dior encenou suas personagens fashion e estamos todos aplaudindo. Todos os decotes, a perfeita delicadeza dos bordados luxuosos, o toque de modismo com o uso do brinco em apenas uma das orelhas. Os sapatos lindos, com tiras amarradas nos tornozelos. E como são esqueléticas as manequins! A magreza na apresentação de moda é algo totalmente essencial para o visual comercial, mas, na alta costura não era assim; agora é necessário haver marcas dos ossos sob a pele. Mas, dentro dos valores fashion, podemos admitir como é chique aquele percurso que revela a coluna vertebral como base para sustentar um decote ultramoderno e jóias em fios longos que sacodem direita-esquerda-direita... Antes, a alta costura era basicamente montada sobre um manequim 42 e isso já era complicado, havia muitas provas até a apresentação.
Ah, o esforço das manequins pela fantasiosa estética criada e desenvolvida para a imagem comercial e o bruto prazer da realidade, quando uma cliente que pesa 300 quilos pode simplesmente apontar para o vestido usado por uma esquelética garota e dizer que quer um nas suas medidas! Nada é muito justo neste mundo e haverá sempre um lado fraco da coisa... A Terra está longe de ser um lugar maravilhoso! Eu sei que falar em magreza na passarela é quase como comentar algo delicado como racismo, religião ou sexualidade. Mas, no fundo, todos esses temas estão totalmente ultrapassados diante da importância do ser humano como criatura individual. Particularmente e francamente, sem muita intensidade, o que realmente me atrai na alta costura hoje em dia é o olhar francês, o inimitável toque de classe parisiense. No mais, estamos redescobrindo uma receita de moda futurista do passado.

Veja o desfile completo:

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ALTA COSTURA - Na Riqueza ou na Pobreza?

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Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Por favor, não me fale em solidariedade por ser Natal. Eu realmente penso que isso não faz mais parte de nenhuma criatura viva. Mulheres vão a casamentos religiosos usando decotes gigantescos, fendas, quase nuas, numa descarada e completa expressão de desentendimento comportamental, chutando a etiqueta, o respeito e o protocolo e essas pessoas nem estão aí com o compromisso que deveriam ter umas às outras. Muita coisa mudou depois da I Guerra Mundial, nós sabemos que vem daí, e eu penso que é triste que a coisa tenha desandado, tropeçado, diluído, até que as sociedades não tenham mais espaço para a beleza comportamental, para o girar da roleta que levava ao povo o bom exemplo do vestuário de luxo, joias, do comportamento da elite; e tudo era adaptado para os pobres. Era um sistema que funcionava, apesar de ser tão pouco simpático. Depois, já no meu tempo, eu achava ótimo e revolucionário quando diziam que "a moda da rua estava influenciando a alta costura"... Mas, não era bem assim que a coisa funcionava. Na verdade, a alta costura sempre foi uma roupa de experiência. Não um laboratório para o costureiro ou para a moda de rua, mas, uma forma de levar a fantasia e os sonhos aos ricos. É um tipo de droga bem bacana! A cliente que usa alta costura está dentro de um tema, de uma expressão artística e, dependendo do grau de sensibilidade de cada uma, essa experiência pode ser dramática, fashion ou simplesmente fútil. Ninguém deve se sentir feliz achando que a moda de rua é capaz de alterar o padrão de luxo com o tal devaneio da emborcada da pirâmide de influência... As mulheres chiques e elegantes jamais venderiam a alma ao diabo quando o assunto é moda, elas preferem o conforto da experiência moldada em luxuosos tecidos e joias. É como dedicar um dia para fazer algo que você nunca fez, só para ter a experiência. Não existe nada mais esnobe, diferenciador, isolador, do que a alta costura! Isso vai muito além da moda e dos acessórios. Nada vai discriminar alguém mais do que a alta costura. Desculpe, mas, nós a observamos por puro atrevimento - ela não é feita para nós - e não somos enxergados pelo inacessível mundo do luxo extremo. Isso soa quase religioso e, portanto, é uma margem perigosíssima. Luxo, dinheiro e felicidade. Desde quando dinheiro não é importante? Como os padres não perguntam mais "na riqueza ou na pobreza"? É óbvio que dinheiro interessa - e muito. Se não tivermos dinheiro, teremos uma vida condenada a sonhos impossíveis e exclusões sociais. Isso é tão duro e dramático! Você pode pedir a sua namorada em casamento, mas a sua sensação jamais será completa como a de quem pode dar todos os vestidos, carros, joias para sua mulher... O mundo exige que vivamos dentro de uma cúpula de ilusão que é abastecida pelo dinheiro. E a economia se transformou em algo mais importante do que qualquer outra força natural. No que estamos transformando a humanidade?! Nós nem servimos mais para procriar. As crianças são cada vez mais doentes. Assim como uma meia, o sexo também pode ser comprado. O prazer sexual não representa mais nada além do momento. E duvido que os clientes do sexo deixem de consumi-lo para que o dinheiro que seria usado vá para a caridade. Não, meus amigos, a vida num todo está cada vez mais egoísta e dividida. Você precisa escolher a que grupo pertence e não espere que o problema que martela sua cabeça esteja no seu bairro ou na sua cidade, o porco continua sendo porco mesmo depois de ser levado a uma volta ao mundo. Nós estamos num planeta falido, nós falimos as maiores virtudes humanas dentro de nós mesmos em nome do trabalho, das obrigações e dos sonhos de consumo em grupos. Eu dou muito valor ao trabalho, claro, mas é preciso enxergá-lo como uma extensão do que somos e não somente como uma peça da Economia, por isso é importante o trabalho feito com prazer, e o prazer é essencial na moda. Não posso dizer que Raf Simons teve prazer em estilizar a Dior, por exemplo, pois, ele saiu de cena e isso deixa claro que sua participação foi vaidosa e mecânica, talvez para arrecadar um dinheirinho e investir em seu próprio nome, como uma engrenagem que manteve a casa funcionando enquanto mudava a paisagem. É claro que vou respeitar se a sua opinião é contrária, mas, eu realmente não percebi outro cenário. A exclusão de John Galliano da história da Dior é o mesmo que jogar uma bomba no Louvre... O que interessa no mundo da moda, usual ou fashion, é a arte! Dez anos se passaram desde que este blog foi criado e há 10 anos atrás Galliano mostrou que as ricaças clientes da alta costura poderiam ir aos seus eventos sociais nos castelos, palácios, grandes galerias de arte, vestidas como punks. Foi um dos anos mais fantásticos para a Dior e muitas pessoas passaram a gostar de moda depois que viram as punks de luxo e aquela coleção inspirada em Joana D'Arc. Aquilo foi muito artístico, histórico e de um luxo nababesco. Tudo era tão detalhado e não expressava nenhuma pressão, ninguém se perguntava sobre comprimentos ou cores, pois, era tudo tão óbvio com relação ao tema e as pessoas já estavam se acostumando com o fato da moda simplesmente deixar de ser usual para ser fashion. Ou você estava "in", ou "out"! Como ele foi capaz de levar clientes tão austeras ao mundo punk?! Ainda temos a impressão de que os muito ricos vivem em palácios de açúcar, um mundo encantado onde não há calor ou frio, onde há suavidade, sensibilidade, arte e beleza. Como é bom sonhar e observar jardins. Você sabe exatamente o que não quer? Eu espero que a rigidez linear dos limites impostos pelo dia-a-dia não bloqueie seus sonhos e que todos eles se realizem nesta ou noutra dimensão. Assim, mesmo numa vibe underground, você será top, como merece ser. Cada um de nós deve estar acima de qualquer regra, de qualquer margem, de qualquer sonho e se para haver a transformação completa é necessário dinheiro, que ele venha e que possa ser bem usado pelo mundo e pelos sonhos, para você e para o que ama.

domingo, 15 de novembro de 2015

Moda - A Dança das Cadeiras


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - As mudanças no mundo da moda não deveriam ser tão alarmantes, afinal, comercialmente falando, continuaremos vestindo as mesmas entediantes estruturas para um padrão físico que, em larga escala, não sofreu nenhuma evolução/mutação, que alterasse tudo que, basicamente, se entende como roupa comercial. Mas, as rodas estão girando e Raf Simons deixou a Dior... Isso é tão chato, previsível e repetitivo! Alguns acontecimentos futuros estão tão visíveis que não há desculpa para fingir evitá-los. O processo criativo de Simons parecia ser tão terrível, tão sob-pressão, que passei a admirar o resultado de sua alta costura. A Dior sofreu uma completa mudança após a saída de Galliano e é preciso ter muita bagagem e muito gás para manter a máquina em velocidade paralela a tudo que foi jogado sobre o fashion-designer: além da alta costura e prêt-à-porter, havia coleções entre as temporadas e eventos focados nos clientes orientais, indo até eles, por exemplo. Karl Lagerfeld não tem muito esquentamento de cabeça, tendo em vista que ele prefere sempre manter tudo praticamente igual, com algumas mudanças salteadas entre temporadas com 2 ou 4 anos de diferença entre elas. Eu prefiro perceber e acompanhar a arte, sobretudo quando está ligada ao fashion. Diana Vreeland está mais presente do que nunca no cenário mais interessante do mundo fashion, afinal, ela começou a onda de exposições de moda em museus, com toda aquela carga de exageros e personalidade que trouxeram, por exemplo, Iris Apfel como a figura fashion, gráfica, mais interessante que a moda atual está vendo e publicando. E, por favor, não me fale em Anna Dello Russo, ela é tão forçada... A moda deve ser, antes de tudo, um conforto, um prazer. O toque artificial é essencial para qualquer personalidade fashion, mas, não pode ser um fardo. Você vê a Donatella Versace, totalmente plastificada, visualmente artificial, magra e aparentemente fútil, chique e, ao mesmo tempo, confortável consigo mesma e controlando um império comercial. Parece chique jogar o sorvete na lixeira enquanto o arrependimento foi capaz de lembrar da calça para o verão; mas, nada disso vale a pena se não for pelo prazer e conforto e é esse tipo de prazer que está em voga na classificação de quem é quem na sociedade, são as suas escolhas, entre o sorvete e a calça, que começam a definir sua personalidade fútil. Não há nada de errado em ser fútil, desde que isso seja você e desde que você seja muito inteligente dentro de suas limitações impostas pela vida. "Ah, eu prefiro o drama da futilidade; e que todos os sorvetes sejam jogados fora", pode ser muito divertido de escutar, mais ainda se alguém for forte o suficiente para "gritar", em tom suave, o contrário. Quando Vogue Brasil vai se tocar e deixar o Bruno Astuto assumir a primeira fila nos desfiles? É chato vê-lo atrás, escondido, quando na verdade ele conheceu e conseguiu ser amigo de tanta gente top no mundo da moda internacional, como Marisa Berenson - para dizer o mínimo -, que esteve no Brasil a convite da Amsterdam Sauer e ganhou um jantar do Astuto e seu companheiro, Sandro Barros, no Copacabana Palace. Gente, até a Carmen Mayrink Veiga esteve lá! Eu não sei qual o tamanho da determinação das pessoas, mesmo neste mundo que defende o 'estilo coletivo', ou até onde cada pessoa está disposta a ir, até perceber que pode ser melhor ceder o lugar... Raf Simons não demorou tanto para enxergar. Quero um livro feito pelo jornal O Dia com todas as colunas de sábado que a Carmen Mayrink Veiga assinou! Quero o museu de moda da Hildegard Angel! Quero a linda foto dos flamingos posando no cenário da chique Lily Marinho para a Caras e os textos apimentados do Marcio G! Quero um programa do José Gayegos no GNT! Quero rever o Fernando de Barros fechando o Roda Viva com chave de ouro, afirmando, na cara do Versolato, que ele "pelo visto está escondendo muitas coisas aqui"! Quero esquecer a maldade que a Regina Guerreiro fez com o ganso naquele editorial de moda e prefiro acreditar que ela não teria borrifado tinta na ave se soubesse que isso a mataria... Eu detesto maus tratos aos animais e, portanto, prefiro pensar assim para continuar valorizando o talento que ela teve para escrever e produzir conteúdo fotográfico por tantos anos para revistas famosas. O preço que se paga pelas escolhas e pelas atitudes é uma conta alta demais. O mundo singular não deve ter mais espaço na moda, mesmo quando é preciso aceitá-lo para permanecer in. O sexo não é mais tema de nada no mundo das pessoas realmente interessantes, a evolução já as atingiu. Ah, a Nova Era! Como é bom conversar com pessoas menos físicas e mais artificiais, mais livres, únicas! Os tecidos, a ciência, as peles lisas e belas, a futilidade, o porta-retrato com o bilhete do Concorde! Veja, meu amigo, você não tem mais desculpas para não comprar suas camisas Tom Ford, agora é tudo vendido online! Veja, minha amiga, o namorado perfeito não morreu na tragédia do Titanic, ele agora sabe exatamente o que evitar pelo caminho, desde os cabelos muito lisos ou as falsas sardas, por exemplo. Calma, calma! Nada disso vale realmente nada quando somos derrubados à realidade e precisamos ver o bebê gritando em choro, agarrando e comendo uma folha seca de milho, levado aos trancos e barrancos nos braços magros da mãe que só quer correr e ter a chance de entrar na Alemanha... Será mesmo que estamos preparados para a realidade? Cada um de nós está cada vez mais sozinho e isso está acontecendo enquanto o mundo desmorona. Desculpe-me, caro leitor, mas... Quem é mesmo Raf Simons?